Uma trajetória de fé, dedicação e serviço construída a dois.
Da convivência no Desafio Jovem de Piracicaba aos 41 anos de casamento, os pastores Vanderlei e Sílvia construíram uma caminhada marcada pelo cuidado com pessoas, pela formação da família e pelo serviço à igreja. Hoje, vivem um novo tempo em Ribeirão Preto, onde ele preside a AD. Brás em Ribeirão Preto – Ministério de Madureira.

A história ministerial dos pastores Vanderlei Antônio de Oliveira e Sílvia começou a tomar forma no cotidiano de uma casa de recuperação. Ele chegou em busca de ajuda para enfrentar a dependência química. Ela, ainda adolescente, participava das atividades da instituição e dos momentos de oração. Antes de se tornarem marido e mulher, os dois já davam seus primeiros passos na fé e no serviço cristão naquele ambiente.
Nascido em 29 de junho de 1963, em Ribeirão Preto, no bairro Campos Elísios, cresceu em uma família com práticas religiosas, mas conta que ainda não havia encontrado uma experiência pessoal com Cristo. Entre os 13 e 14 anos, teve contato com as drogas e se tornou dependente.
Os primeiros passos de uma caminhada compartilhada
A mudança começou em abril de 1982. Depois de ouvir o testemunho de um pastor e receber oração em Ribeirão Preto, foi encaminhado ao Desafio Jovem de Piracicaba. Ingressou na instituição em 11 de abril daquele ano.
Ali, passou a ouvir a Palavra de Deus e iniciou o processo de recuperação. Ainda em 1982, foi batizado nas águas na Assembleia de Deus, Ministério de Madureira.
O plano inicial era concluir o tratamento e voltar para a casa dos pais. Entretanto, sua permanência na instituição abriu outro caminho. Tornou-se monitor, participou das equipes que buscavam alimentos e doações e passou a visitar igrejas, compartilhar seu testemunho e colaborar na manutenção do trabalho.
Com o tempo, assumiu responsabilidades de direção. O cuidado com os internos, o ensino bíblico e o acompanhamento espiritual começaram a revelar uma vocação que outros pastores também reconheciam.
“Praticamente eu vi que já estava realizando um trabalho pastoral”, recorda.
Natural de Araraquara, Sílvia chegou à instituição ainda adolescente, acompanhando uma mudança na vida de sua família. Ela nunca foi dependente química. Recebeu a Palavra e passou a colaborar no trabalho, participando, ao lado da esposa do pastor responsável, das orações pelos internos. Vanderlei recorda que esses encontros também marcaram sua experiência de fé. Ele, Sílvia e a mãe dela foram batizados nas águas no mesmo dia, quando o casal ainda não namorava.
Casaram-se em 11 de maio de 1985. Em 2026, completaram 41 anos de casamento. Para Vanderlei, a participação da esposa atravessa toda a sua história.
“Eu sempre digo que tinha que ser a Sílvia mesmo.”
O chamado e os primeiros desafios
Em 1991, um convite tornou mais definido o caminho pastoral. Enquanto estava em Cristalina, Goiás, tratando da possibilidade de abertura de uma casa de recuperação, recebeu uma ligação do pastor Adão, que o convidou para dirigir a congregação de Cravinhos, ligada ao campo de Ribeirão Preto.
Assumiu uma comunidade com 16 pessoas. As dificuldades do início chegaram a despertar perguntas sobre sua própria capacidade de conduzir uma igreja. A resposta foi sendo construída no trabalho diário.
Ao encontrar jovens envolvidos com drogas, começou a compartilhar sua experiência e oferecer ajuda. As conversas chegaram às famílias, geraram encaminhamentos para tratamento e contribuíram para a abertura de uma casa de recuperação na cidade.
Durante os nove anos e meio em Cravinhos, a igreja construiu um novo templo e, segundo seu relato, chegou a aproximadamente 300 membros.
Foi também nesse período que a família enfrentou uma de suas maiores provações. O filho Gileade, ainda criança, recebeu o diagnóstico de leucemia e precisou passar por tratamento com quimioterapia em Ribeirão Preto.
Entre os cuidados com a igreja, a instituição e o filho, Vanderlei e Sílvia viveram anos de preocupação e deslocamentos difíceis. Ele testemunha a recuperação de Gileade como um milagre de Deus. Hoje, o filho é pai e pastor em Bebedouro. O primogênito, Jessé, também é pastor e atualmente auxilia o trabalho em Ribeirão Preto.


Depois de Cravinhos, Vanderlei seguiu para Sertãozinho, onde permaneceu cerca de 24 anos. Inicialmente, dirigiu a congregação de Sertãozinho, que pertencia ao campo de Ribeirão Preto. Posteriormente, a congregação foi emancipada, tornando-se um campo com administração própria, independente do campo de Ribeirão Preto. Vanderlei passou então a exercer a presidência do campo de Sertãozinho, função que desempenhou até sua transferência para presidir o campo de Ribeirão Preto.
Ao longo de sua permanência em Sertãozinho, acompanhou a expansão do trabalho. Segundo seu relato, ao deixar a cidade, o campo contava com dez congregações e um templo sede com capacidade para aproximadamente 1.500 pessoas sentadas.
O cuidado com pessoas em situação de dependência química também continuou nessa etapa. Depois da casa de recuperação aberta em Cravinhos, durante os nove anos e meio de trabalho na cidade, Vanderlei relata que abriu outra comunidade terapêutica em Sertãozinho, onde pastoreou por cerca de 24 anos. As duas iniciativas acolheram muitos internos e deixaram frutos que ele recorda com gratidão: pessoas que se recuperaram e hoje são pais de família. Para o pastor, essas vidas representam uma parte importante do legado desse trabalho.
De volta às origens
Após integrar uma comissão que acompanhava o campo de Ribeirão Preto, recebeu do bispo Samuel Ferreira o convite para assumir sua presidência. A posse aconteceu em 12 de abril de 2025, no mesmo mês em que completava 43 anos de sua decisão por Cristo.
A proximidade entre as datas trouxe conforto diante da responsabilidade e da despedida de uma cidade onde havia construído boa parte da vida familiar e ministerial. Para ele, esse retorno foi uma confirmação da direção de Deus.
Em Ribeirão Preto, encontrou a expectativa pela construção de uma sede. Reconhece a importância desse projeto, mas estabeleceu uma prioridade para o início de sua gestão:
“Eu vejo que Deus me colocou aqui para a gente primeiro fazer edificação espiritual.”
Sua atenção está voltada ao acolhimento de pessoas que se afastaram, à restauração de ministérios, ao evangelismo, ao discipulado e à organização administrativa do campo.
O projeto da nova sede também avançou. Segundo o pastor, a área foi adquirida e está sendo paga. Entre as iniciativas para arrecadar recursos está a venda de Bíblias e Harpas personalizadas, em um projeto editorial desenvolvido pela LEGARYS, com produção gráfica da Editora Karis.
A construção depende das liberações necessárias para a área, que o pastor espera obter até o fim de 2027, possivelmente antes.
A convicção de servir e permanecer
Aos 63 anos, Vanderlei afirma estar disposto a enfrentar essa etapa. Ao aconselhar quem começa no ministério, destaca a convicção do chamado, a vida com Deus e a coragem para servir.
Também chama a atenção para o cuidado com a esposa, os filhos e a organização da vida financeira. Sua experiência o leva a orientar os próprios filhos a estudar, trabalhar e construir condições de sustento.
Na liderança, defende uma postura de serviço e proximidade. Encontrar tempo para ouvir um jovem pastor e ajudá-lo a enfrentar suas dificuldades é uma das tarefas em que diz sentir satisfação.
Quando pensa no legado que deseja deixar, sua resposta é simples: um bom testemunho como ministro de Cristo.
“Permanecer até o fim.”
Ao recordar essa caminhada, Vanderlei faz questão de expressar sua gratidão ao bispo Samuel Ferreira pela confiança em seu ministério e por reconhecê-lo como pastor presidente em Sertãozinho e, agora, em Ribeirão Preto.
Ao olhar para o futuro em Ribeirão Preto, Vanderlei leva consigo uma história que também foi construída por Sílvia: o casamento, a criação dos filhos, o cuidado durante a doença de Gileade e os anos de dedicação à igreja. Depois de mais de quatro décadas de vida conjugal, essa caminhada compartilhada ajuda a compreender o ministério que hoje continua na cidade.

Entrevista realizada por Pastor Pereira para a Revista LEGARYS.

